Amamentação prolongada sim, e dai?

Uma das coisas que aprendi com a maternidade é que toda mãe deve estar preparada para ser julgada. As pessoas te julgam se o seu parto foi cesárea, mas também se o seu parto foi normal, se você amamentou, ou não, se o seu filho chupa chupeta ou não, e na verdade, eu acredito que a maior parte das escolhas que fazemos a respeito de nossos filhos no geral não tem nada a ver com certo ou errado, mas sim com a forma que cada uma tem de maternar, e eu já falei antes sobre isso aqui. Sempre que alguém me critica por alguma escolha que fiz para minha filha, eu tento na medida do possível explicar a minha escolha, não que eu ache que devo me explicar para alguém, muito pelo contrário, mas espero que talvez a minha experiência possa de alguma forma trazer algum conhecimento e transformar a maternagem de outras pessoas.

Pode parecer absurdo mas muitas mulheres, e me incluo nesse grupo, são julgadas e sofrem preconceito por optar pela amamentação prolongada. Amamentei a Bruna até o mês passado, ou seja, 1 ano e 7 meses, porque infelizmente meu leite acabou, e nem considero esse período como prolongado, já que a OMS (Organização Mundial de Saúde), orienta o aleitamento materno até 2 anos ou mais. Mesmo assim, sempre ouvi muitas críticas por essa opção, e acredito que é a falta de informação, mas principalmente a falta de respeito que causa nas pessoas a indignação ao ver uma criança com mais de 6 meses sendo amamentada.

Mesmo que houvesse comprovações cientificas de que o leite materno não fornece nenhum tipo de nutriente, o que não é o caso, mesmo assim eu optaria em continuar amamentando, simplesmente porque o vínculo afetivo criado nesse momento é em minha opinião o maior ganho que eu e minha filha podemos ter.

Mas existem inúmeros benefícios para a amamentação prolongada.
Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano. No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporciona à criança:

95% do total de vitamina C necessária;
45% do total de vitamina A necessária;
38% do total de proteínas necessárias;
31% de calorias necessárias.
Crianças amamentadas têm benefícios imunológicos

Os fatores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebê cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam a receber os benefícios da imunidade.

O leite materno continua a evitar doenças e a facilitar a recuperação de outras durante o segundo e terceiro anos de vida. Isto porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém fatores anti-infecciosos que incluem:

- leucócitos (células brancas vivas) que matam bactérias;

- imunoglobulinas, que são proteínas muito especiais que transportam os anticorpos para proteger o bebé das doenças contra as quais a mãe desenvolveu uma imunidade;

- fator bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial (lactobacillus bifidus) no intestino da criança, impedindo que outras bactérias cresçam e causem diarreia.

Desafio alguém que consiga me apresentar apenas um motivo para interromper a amamentação quando a criança completa os 6 meses, período de amamentação exclusiva.
Sei que o maior argumento é que a criança se torna antissocial e dependente da mãe.

Um estudo com bebês amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período da amamentação e o ajustamento social avaliado por mães e professores) em crianças de 6 a 8 anos de idade (Freguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: "Existem tendências estatisticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação".
A amamentação de bebês mais velhos proporciona uma oportunidade de brincar e uma bebida de conforto, serenidade para bebés cansados, doentes, assustados, contrariados, ajudando-os a superar o stress diário da infância. Porque a amamentação se torna uma forma agradável de bem-estar emocional entre o bebé e a mãe. (Davies,1993).
Além dos benefícios para o bebê existem também os benefícios para a mãe.

A amamentação reduz os riscos de câncer no ovário, no úteto, no endométrio e na mama.(King, Thomson e Gordon,1991).

Eu poderia escrever por pelo menos mais três horas sobre os benefícios da amamentação prolongada, e continuo desafiando quem consiga me apresentar tantos argumentos para não fazê-la. Minha filha se alimenta muito bem, raramente fica doente, nunca tomou um antibiótico, e é absurdamente sociável, vai com todo mundo e dorme fora de casa, na casa do pai e da avó. Portanto mães amamentem seus filhos, até quando eles quiserem, até quando você quiser, a qualquer hora e em qualquer lugar, você tem direito e seu bebê também.

Foto: Shutterstock
Fonte: www.libertas.com.br




Comentários

  1. Eu acho que se nos faz feliz e não faz mal, devemos fazer!
    Eu não consegui, mas admiro quem consegue!
    beijos
    Lele

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